sexta-feira, 18 de agosto de 2006
[ da alegria à tristeza - parte II ]
bis da pergunta: como ir da alegria à tristeza em questão de minutos?
bis da receita: pegue mais uma surpresa desagradável, adicione uma dose raiva de si. Duas xícaras de dúvida. Misture tudo até atingir o ponto de um ser sem rumo e com mais raiva. desconfiança a gosto. resultado: um belo tapa lembrando que mesmo quando tudo parecer que são flores, nunca são realmente... e que, sim, reforço, quando se pensa que nada pode piorar... pode sim. sempre pode. servir gelado. com calda de orgulho e postura granulada.
novamente afirmo que alegria é estado. tristeza também. mas bis de tristeza machuca mais... retoma a tristeza de outrora e adiciona novos motivos para não sorrir. sim, o consolo é que um novo dia sempre raia no amanhã... também podendo trazer coisas novas ou reafirmando os motivos do dia anterior. atenção: o cuidado consigo mesmo tem que partir da gente.
palavra de ordem: IMPONHA-SE. sempre que for necessário faça-se valer pelo que é. acabe com as brechas. não deixe-se dominar pelas 'paixões', afinal um carro só é perigoso quando o motorista se deixa dirigir por ele e não o contrário.
V.L.
IMAGEM: OS RETIRANTES - Cândido Portinari
segunda-feira, 14 de agosto de 2006
[ sono ]

"tô com sono, acredita?", disse um ser virtualmente. a correria do dia-a-dia nos traz um cansaço quase constante. nos falta força física. nos falta força psíquica. nos falta...
mas só falta? creio que não. estamos rodeados de tudo. da vida. do sol que nos ilumina todos os dias [mesmo quando está escondido entre nuvens].
mal acaba um dia, já estamos pensando no que vamos enfretar no próximo. e o sono se renova tanto quanto a vida que renasce a cada raiar do sol.
oito horas de sono, no mínimo, aconselha-se. o sono renova. deixa a alma livre para passear enquanto a matéria repousa.
o que não podemos deixar é que o sono nos roube a vida. as experiências de cada dia. já diza um ex-professor quando alegavamos não ter tempo para tantos trabalhos na faculdade: Vocês dormem? Então vocês têm tempo.
o que não deixa de ser verdade. dormir é necessário e faz bem. mas a vida clama por ação. não podemos deixar de responder.
"he had a try out with the Sixers
couldn't wait for Saturday
now we're never gonna see him slam
flying high as Kobe can His life was stole
now we'll never know
their lives were stole now we'll never know
we were here all together yesterday"*
trecho de uma música que fala da vida de um garoto que sofreu muito durante o tempo que viveu. não alcançou seus sonhos. viu os outros alcançarem. até que partiu para o sono eterno.
palavra de ordem: RENASÇA... a cada dia. a cada fim de cochilo. a cada acordar. durma quando necessário, mas não deixemos que o sono seja o norte dos nossos dias.
V.L.
*stole - kelly rowland
FOTO: fim de tarde no solar - quando a vida se faz perfeita. Solar da Unhão - Salvador - 09.08.2006. por Vinícius Lírio
quinta-feira, 10 de agosto de 2006
[ do alfa ao ômega ]
qual a distância entre o alfa e o ômega? qual a distância entre o princípio e fim? qual a distância entre a perfeição e a mortalidade?
alfa e ômega, respectivamente a primeira e a última letra do alfabeto grego... ou o princípio e o fim. Deus e o Homem.
uma grande lacuna separa essas coisas, tal como um movimento "separa" o sol da lua... ou será que os une?!
a mesma reta que separa dois pontos pode promover a sua união. depende do traço.
um beija-flor no ato sublime do seu vôo sensível... um crocodio num ato violento devora o pássaro. nos dois casos a vida se mostra perfeita: primeiro na beleza; depois na manuntenção de um ciclo.
o ângulo é o maior revelador das coisas. mesmo sendo ambigüo, revela o que precisamos ver, a postura quem define somos nós.
palavra de ordem: TRACE... as retas que ligam os pontos, também as que separam. observe tudo por diversos ângulos antes de riscar os traços definitivos de seus desenhos.
V.L.
P.S.: mais um post sem imagem por problemas no blogspot. :/
segunda-feira, 7 de agosto de 2006
[ fabulando...]
um grupo de formigas havia estabelecido uma meta para todo formigueiro: construir um empreendimento jamais visto no mundo dos insetos. como trabalhadoras empenhadas que são, voltaram-se inteiramente para alcançar o objetivo a que haviam se proposto.
contudo, como em todo grupo, haviam algumas integrantes que não se empenharam tanto quanto outras para fazer o projeto progredir.
certo dia, o líder das formigas chamou essas intergrantes:
- minhas amigas, não querem tanto quanto todas nós edificar o que planejamos?
- sim, queremos - disse uma delas.
- por que, então, negam-se a se empenhar tanto quanto as demais?
- porque somos mais fracas, senhor. nós tentamos, mas não conseguimos fazer o mesmo que elas.
- ora, queremos tanto quanto elas alcançar o progresso do formigueiro, mas não precisamos fazer as mesmas coisas. basta que façamos nossa parte e não nos acomodemos diante dos obstáculos.
daquele dia em diante, as formigas que haviam se acomodado passaram a contribuir com o que podiam, crendo que o sucesso do empreendimento do formigueiro depende do esforço comum de todos.
a contribuição é sempre válida quando se quer algo. o tamanho é irrelevante diante do significado amplo dos atos. é preciso não se prostrar na ineficiência quando o que podemos fazer é que faz a diferença.
V.L.
P.S.: usando fábulas no trabalho acabei ousando a fazer uma modesta. Palavra de ordem: OUSE. faça as coisas sem o medo do que é distante. a distância é um estímulo para locomoção e frustrante para quem acredita estar enraizado no concreto da inutilidade.
IMAGEM: formia - em busca de um lugar ao sol. de algum lugar na web.
quarta-feira, 2 de agosto de 2006
[ o paradoxo do tamarindo ]

ácido, azedo, verde ou maduro. glândulas salivares produzindo em excesso. prazer demasiado ao sabor profundo e peculiar. contradição eminente entre o gozo e o antagonismo natural à acidez. orgamo gástrico.
tamarindo. o sabor dessa fruta reflete a metáfora da maiora das coisas a que elevamos nosso gostar. gostamos... porque não é perfeito. porque provoca outras sensações. porque corroi e conforta, paroxalmente.
quem nunca provou, prove. quem já provou, dispensa conselho. farte-se.
a saliva na boca seca clamando pelo queimor do ácido oriundo do âmago desse fruto... o olhar. a boca pede. o instinto clama. o toque satisfaz.
palavra de ordem: SACIE. porque o sentido por si só não diz nada ao nosso ser. a amalgamação do que nos furta o desejo com nossas funções orgânicas é que nos faz alcançar o sublime gosto do prazer saciado.
V.L.
IMAGEM: paradoxalmente tamarindo.

