segunda-feira, 28 de agosto de 2006

[ percebendo os sons ]

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dó ré mi fá sol lá si... separadas por tons e semitons fazem-se perceber e justificam a audição que nos foi dada.

tudo tem um som. o vento que sopra grave, agudo, médio. o toque dos pés do chão, grave e alto quando pisamos firme, suave quando andamos sentindo o toque de cada parte da sola no chão. silêncio sonoro quando flutamos.
uns mais claros. outros imperceptíveis. mas sempre há um som.
um dó num grito.
um ré num aplauso.
um mi num choro.
um fá num suspiro.
um sol num beijo.
um lá num rio que corre.
um si numa sirene duvidosa.
um dó, um ré, um mi, um fá, um sol, um lá, um si... um som.
som há em tudo que toca. que sente. que harmoniza. que ressoa. que faz lembrar que existe porque sons produz.
palavra de ordem: SONORIZE. para se fazer perceber. para perceber. porque tudo é perceptível desde que ressoe e faça-se ouvir.

V.L.

IMAGEM: Clave de Sol.

P.S.: Essa semana não postarei. Estou viajando e só volto semana que vem. A todos uma excelente semana e não deixem de voltar aqui a semana que vem.



sábado, 26 de agosto de 2006

[ fim de dia ]

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lá vai ele levando suas chamas quentes para outros olhos, para outras vidas, para outros pedaços de terra.

tão comum. tão especial. tão cotidiano. tão sublime. tão... tão... tão...
nos perguntemos quanto há em nossa carteira agora. se não soubermos exatamente, chegaremos ao aproximadamente, com certeza.
nos perguntemos, agora, quando foi a última vez que olhamos para céu e admiramos a beleza do seu azul, o contraste dos raios quentes do sol com o frio que emana no azul celeste. parabéns a quem conseguiu lembrar.
o mundo moderno faz isso com o ser humano. o aliena de si. o aliena do que o cerca. o aliena... e o ilude, fazendo crer que sabe. que tem 'saber'.
todo dia acordamos, nos banhamos com pressa, comemos mal, trabalhamos por trabalhar [viva os que têm prazer!], comunicamo-nos mal. sobrevivemos.
no fim de um dia há sempre um pôr do sol, num movimento sublime do universo que, por si, distribui democraticamente a luz que dá vida, que aquece. a beleza do quadro que se pinta nesse momento é sem igual. mas de tanto se ver ao fundo - ao fundo do mundo de concreto, do ser sem sangue quente, do mundo que não mais se arrepia - deixou de ser protagonista e se tornou figurante. pena... de nós, claro! que perdemos tamanho espetáculo a cada fim de dia.
a palavra de ordem hoje é RECUPERAR. façamos renascer em nós a importância do que, pelo costume, pela presença de sempre, tornou-se secundário. tornamo-nos indiferentes a coisas que poderiam dar um novo sentido ao '... nosso de cada dia'.
vinícius
FOTO: Pôr do sol por traz do concreto. Por: Vinícius Lírio. Comércio - Baía de Todos os Santos - Salvador/Bahia, ago.2006.

quarta-feira, 23 de agosto de 2006

[ à uma foto ]


além do horizonte é um lugar onde ainda não conseguimos chegar...

porque nosso horizonte nos basta...

porque o que o “além” é muito longe, a estrada é longa e a peleja difícil...

será?!

voar sobre a linha última que nossa visão alcança é de mais para objetividade que nos acorrenta e nos aprisiona em nós mesmos.

o horizonte é uma linha tênue que divide o sentido do que se vive e quer se viver e a inércia de um parasita. o que parece ser dois extremos se resume a dar o primeiro passo, depois outro, outro, outro...

é como crianças de colo: elas conseguem se comunicar, informar, chamar a atenção... para que mais se dentro do horizonte delas as coisas se resolvem?

para a criança o sentido da vida está na descoberta... de si, do outro, do mundo... as correntes da objetividade só começam a acorrentá-la quando viram borboletas independentes... o paradoxo é que as borboletas quando deixam os casulos vão em busca do ‘além’... o ser humano quando se torna independente é que se põe dentro de um casulo.

o “além do horizonte” está tão próximo de nós. ele não precisa ser onde nossa limitada visão não alcança, até porque esse limite é imposto pelos casulos que nos envolvem.

palavra de ordem: NAVEGUE... até onde não se sabe. nas coisas simples. nos fins de tarde despretensiosos. na brisa das noites estreladas. na companhia desejada. na liberdade retomada. no horizonte que vos espera.

afinal, “além do horizonte, existe um lugar”...

V.L.
FOTO: Além do horizonte. Por: Leonardo Rattes. [ www.fotolog.com/tanapauta ]
P.S.: Post em conjunto com Leonardo Rattes.

sábado, 19 de agosto de 2006

[ palavras de um ciclo ]

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descoberta - reflexão - consciência - descoberta - valor - novo - novamente - foi.

foi - vontade - busca - empenho - pedras - dores - resoluções - dentes.
dentes - luta - cansaço - cama - sol - novo - novamente - foi.
foi - madrugada - dia - tarde - noite - ciclo.
ciclo - banho - alma - luz.
luz - pétala - Apólo.
Apólo - Dionísio.
homem.
palavra.
palavra - ordem.
palavra - ordem - LEIA.
leia - vida - ciclo - pessoas.
pessoas - atos - respostas - atos.
atos - novo - novamente - palavras - ciclo.
V.L.
IMAGEM: a menina do pombo. Pablo Picasso.

sexta-feira, 18 de agosto de 2006

[ da alegria à tristeza - parte II ]


bis da pergunta: como ir da alegria à tristeza em questão de minutos?

bis da receita: pegue mais uma surpresa desagradável, adicione uma dose raiva de si. Duas xícaras de dúvida. Misture tudo até atingir o ponto de um ser sem rumo e com mais raiva. desconfiança a gosto. resultado: um belo tapa lembrando que mesmo quando tudo parecer que são flores, nunca são realmente... e que, sim, reforço, quando se pensa que nada pode piorar... pode sim. sempre pode. servir gelado. com calda de orgulho e postura granulada.

novamente afirmo que alegria é estado. tristeza também. mas bis de tristeza machuca mais... retoma a tristeza de outrora e adiciona novos motivos para não sorrir. sim, o consolo é que um novo dia sempre raia no amanhã... também podendo trazer coisas novas ou reafirmando os motivos do dia anterior. atenção: o cuidado consigo mesmo tem que partir da gente.

palavra de ordem: IMPONHA-SE. sempre que for necessário faça-se valer pelo que é. acabe com as brechas. não deixe-se dominar pelas 'paixões', afinal um carro só é perigoso quando o motorista se deixa dirigir por ele e não o contrário.

V.L.

IMAGEM: OS RETIRANTES - Cândido Portinari